por Thiago Francisco

Na canção ‘Time’ do grupo Pink Floyd, David Gilmore canta sobre alguém que corre atrás do sol, mas “o sol permanece o mesmo, enquanto você envelhece/ Fadigado, e um dia mais perto da morte”. Ecoando as palavras de um poema muito antigo, a letra de Roger Waters revela uma velha verdade: não há nada de novo debaixo do sol. O sentimento universal de tempo perdido -- de que a vida é um trem desgovernado e estamos ficando para trás -- é o que dá tônica à canção.

Seria isso a vida? Sempre perdendo tempo, coisas, pessoas, deixando para trás, enquanto o sol permanece impassível assistindo ao nosso declínio? Se assim é, por que sentimos tanto essa perda, essa tristeza, essa melancolia ao percebermos o tempo perdido? Seria a vida essencialmente melancólica? O tempo seria uma tragédia?

Há muitos anos, num momento determinado do tempo, o próprio Criador do tempo habitou no tempo para fazer do tempo algo completamente diferente -- para redimir e transfigurar o tempo. E desde então, o tempo já não é mais o mesmo. A canção de  termina numa chave irônica: um grupo de pessoas ajoelhadas num funeral questionando a Deus. Essa não precisa ser a sua experiência, no entanto. O tempo pode (e deve) ser visto não como maldição, mas como uma dádiva -- uma vida carregada de significado e propósito. Cada momento pode ser visto não como tempo perdido, mas como um vislumbre da eternidade -- quando tudo que foi perdido será restaurado, e todas as coisas serão glorificadas. A hora é agora, diz o próprio Deus encarnado, que promete que, ao aceitarmos o seu chamado, teremos não somente vida, mas vida plena -- em abundância.

 

> Quem é Thiago Francisco?
Thiago Francisco é professor de Teatro e apaixonado por filmes de terror, literatura moderna, música alternativa e café bem docinho! Mora no Distrito Federal e é membro da Igreja Presbiteriana Independente de Brasília.